1.
O PADRÃO MIDI
O padrão MIDI, ou Musical Instrument Digital Interface, começou
como um barramento de interface serial projetado para conectar instrumentos
musicais eletrônicos entre si e também em computadores.
Agora,
o termo MIDI também se refere a um formato de arquivo (geralmente
com a extensão .MID), que pode ser usado para armazenar códigos
de comando MIDI encontrados num barramento MIDI. Estes arquivos permitem
controlar um sistema compatível com MIDI quando se utiliza
sintetizadores, samplers e outros dispositivos MIDI.
De
grande importância para a alguns dos usuários Internet,
os arquivos MIDI podem também ser reproduzidos usando-se um
MIDI Player, que é um programa que imita os instrumentos musicais.
Estes players são de uso praticamente universal. Eles vêm
integrados com placas de som para PCs. Também vêm como
uma extensão do sistema operacional para o MAC ou como plug-ins
para navegadores da WEB, como o Internet Explorer e o Netscape.
Os
arquivos MIDI são amplamente usados na Internet para distribuir
musica instrumental. Estes arquivos são compactos e não
requerem nenhum software ou servidor especial para serem ouvidos.
Podem ser inseridos em um web site como qualquer outro arquivo e baixados
para reprodução automática.
Mas
o arquivos MIDI têm suas limitações. Atendem apenas
à música instrumetal, não a vocais ou a áudio
não musical. O padrão MIDI proporciona uma maneira poderosa
de criar e distribuir música instrumental pela Internet. Hardware
e software compatíveis com MIDI estão amplamente disponíveis
para a criação de música e arquivos MIDI.
Uma
das maiores vantagens do MIDI é o seu tamanho compacto. Imagine
3.000 arquivos MIDI, um montante que pode ser armazenado em apenas
80MB, ou uma média de 26,7 Kb por arquivo. Embora 80MB seja
uma grande quantidade de dados para MIDI, não o é suficiente
para mais do que 8 minutos áudio não comprimido em qualidade
de CD. O segredo da capacidade de compactação de um
arquivo MIDI é que ele não contém audio algum.
Em lugar disso, ele é uma seqüência de comandos
contendo instruções sobre como gerar música –
uma partitura eletrônica em um certo sentido. Chamá-lo
de partitura talvez seja uma simplificação forçada,
mas estabelece um conceito essencialmente correto.
Ironicamente,
a maior vantagem de um arquivo MIDI (sua capacidade de compactação)
é também sua mais severa limitação. Como
ele armazena apenas notas musicais e outros comandos e não
o áudio, não pode ser usado para gerar sons arbitrários.
Um arquivo MIDI não pode ser usado para transmitir notícias
ou informativos da cotação da bolsa, nem mesmo a parte
vocal de uma canção. MIDI é útil somente
para música instrumental. Para gravar ou distribuir qualquer
outra coisa, precisamos usar outros formatos de áudio.
Os
comandos em um arquivo MIDI precisam ser interpretados pelo hardware
e software que possam traduzir estes comandos em áudio. A analogia
com a partitura, então, se torna válida. A partitura
pode representar graficamente a porção instrumental
de uma canção. Para que a música possa ser ouvida,
porém, as instruções da partitura precisam ser
tocadas em um ou mais instrumentos musicais. A partitura em si mesma
não é som, exatamente como um arquivo MIDI não
é áudio. Quando pensarmos em MIDI, pensamos em uma partitura
eletrônica.
Isto
levanta um ponto interessante (e crucial) sobre o padrão MIDI.
Como as partituras, os comandos MIDI podem ser interpretados de muitas
maneiras. Embora uma canção em formato MIDI possa ter
sido composta para um conjunto de instrumentos musicais, nada impede
que seja tocada em instrumentos inteiramente diferentes. (Os instrumentos
neste caso são sintetizados, não são instrumentos
reais.) Uma canção escrita para piano, bateria e flauta
poderia ser tocada em violão elétrico, bongôs
e oboé. O resultado interpretado pode diferir enormemente do
original, e ser agradável ou não aos ouvidos.
Um
player, sintetizador ou sampler MIDI atende a vários arranjos.
Um arranjo (patch, em inglês) é uma configuração
que cria os sons característicos de um instrumento musical
como o piano ou violão. O termo arranjo (patch) vem dos primeiros
sintetizadores; cabos de tom e geradores de efeitos para criar um
som específico. Conexões físicas como estas já
não são necessárias porque o processamento é
feito digitalmente, mas o termo subsistiu.
O
padrão MIDI possui 128 números de arranjos (patch numbers)
ou programas, que são códigos que identificam os instrumentos
musicais. Um mapa de arranjo (patch map) é uma tabela usada
por um dispositivo MIDI para determinar que som de instrumento está
designado a que número de arranjo. Uma mapa de arranjo pode
designar o programa 17 para um órgão de tubos, por exemplo,
o programa 31 para uma guitarra de distorção, e o programa
42 para uma viola.
Originalmente,
não havia padrões definindo qual número de arranjo
deveria corresponder a qual instrumento. A necessidade para este e
outros padrões levou à criação do padrão
MIDI GERAL.
2.
MIDI GERAL
Um
arquivo MIDI não define o que é um programa. Não
diz, por exemplo, que o programa 42 deve ser uma viola. Este era um
problema importante nas primeiras aplicações MIDI; nada
garantia que um trabalho escrito para instrumentos específicos
seria tocado nestes mesmos instrumentos.
A
especificação MIDI Geral (GM) foi escrita par atacar
este problema e outras questões de padronização
MIDI. Entre outras coisas, a especificação define um
conjunto de programas padrões. A seguinte tabela resume estes
programas.
| Número
de Programa |
Tipos
de Instrumentos |
Exemplos
|
| 1-8
|
Pianos
|
1=
Grande Acústico, 7= Cravo |
| 9-16
|
Percussão
Cromática |
10=
Sistro, 14=Xilofone |
| 17-24
|
Órgãos
|
19=
Órgão de Rock, 23= Harmônica |
| 25-32
|
Violões
|
25=
Violão Acústico (Nylon) |
| 33-40
|
Baixo
|
33=
Baixo Acústico |
| 41-48
|
Cordas
|
41=
Violino, 43= Violoncelo |
| 49-56
|
Conjunto
de Cordas |
49=
Conjunto de Cordas 1 |
| 57-64
|
Metais
|
57=
Trompete, 61= Trompa Francesa |
| 65-72
|
Palhetas
|
65=
Sax Soprano |
| 73-80
|
Flautas
|
73=
Piccolo, 76= Flauta Pan |
| 81-88
|
Introdução
Sintetizada |
81=
Introdução 1, 82= Introdução 2
|
| 89-96
|
Enchimento
Sintetizado |
89=
Enchimento 1 (New Age) |
| 97-104
|
Efeitos
Sintetizados |
97=
FX (chuva), 102= FX 6 (Duendes) |
| 105-112
|
Étnico
|
105=
Cítara, 106= Banjo, 111= Rabeca |
| 113-120
|
Percussão
|
113=
Triângulo, 116= Bloco de madeira |
| 121-128
|
Efeitos
Sonoros |
123=
Beira-mar, 126= Helicóptero |
Como apresentado na tabela, a GM define um total de 128 instrumentos
musicais e efeitos sonoros. Embora uma única lista não
possa conter todos os instrumentos musicais, o conjunto fornecido
pelo mapa de arranjos da GM é mais do que adequado para tocar
a maioria dos trabalhos musicais.
Praticamente
todos os players MIDI, incluindo pacotes populares para PC e Mac,
atendem ao mapa de arranjo da GM, ou pelo menos a um subconjunto.
Podemos usar um mapa de arranjo diferente do definido pela GM, mas
não é uma boa idéia usá-lo na Internet.
Canções baseadas em um mapa de arranjo não GM
provavelmente não serão tocadas corretamente. A grande
parte das pessoas que baixam arquivos MIDI não têm o
conhecimento, nem mesmo o software, para usar qualquer coisa além
do mapa de arranjo compatível com GM integrado no player MIDI
que vem com suas placas de som. Exceções ocorrem, é
claro. Se estivermos criando um website dirigido a músicos,
podemos esperar um usuário mais sofisticado dos arquivos MIDI.
Podemos preferir postar não apenas arquivos MIDI, mas amostras
de instrumentos musicais que tenhamos definido.
3.
QUALIDADE DE ÁUDIO MIDI
O
título desta seção é um contra-senso.
MIDI não tem nada que ver com a qualidade tonal básica
do áudio que é usado para gerar. O mesmo arquivo MIDI
pode ser tocado em um player rudimentar com um ruidoso áudio
de 8 bits, ou em uma elaborada combinação de sintetizadores
MIDI e samples que produzem brilhantes altos, ricos e médios
e estremecedores baixos. Se um tambor de bateria deve soar como o
de um bom CD ou parecido com uma colher batendo em uma caixa de papelão
não é exatamente uma função MIDI.
Novamente,
aplica-se a analogia da partitura. A Boston Pops Orchestra tem uma
sonoridade muito melhor que a banda de marchar da escola secundária
local, mesmo que ambas executem a mesma peça musical.
É
claro, a qualidade da composição em si é importante
também. Mesmo o melhor sistema MIDI não pode fazer uma
canção sem inspiração ou desagradável
soar como boa.
4.
SOFTWARE: COMPATÍVEL COM MIDI
Se
estivermos meramente postando uns poucos arquivos MIDI existentes
no website, não precisamos de nenhum hardware especial além
do computador. Os arquivos MIDI podem ser enviados e baixados como
qualquer outro arquivo binário. Como já mencionado na
introdução, o Internet Explorer ou Netscape aceitam
plug-in de players MIDI que podem ser usados para reproduzir arquivos
MIDI automaticamente após terem sido baixados.
5.
SEQUÊNCIADORES MIDI
O
centro de controle de qualquer sistema MIDI é o seqüenciador.
Ele gera os comandos enviados a sintetizadores e samplers (aparelhos
antigamente usados para gravar MIDI) par gerar a música. Um
seqüenciador pode envolver hardware , ou pode ser implementado
em um computador através de software. Não importa como
seja, a função do seqüenciador é essencial
em um sistema MIDI. Em termos simples, o seqüenciador é
o que toca a música, embora não gere na verdade o áudio.
Um
seqüenciador pode realizar também tem outras funções,
tais como gravar e editar comandos MIDI. Múltiplos canais,
o equivalente MIDI das trilhas de áudio, podem ser gravados
separadamente e mais tarde editados e sincronizados. Eles podem ser
reproduzidos simultaneamente, emulando toda uma banda de instrumentos.
Os
seqüenciadores têm muitas formas. O software seqüenciador
em um computador é responsável pela leitura de um arquivo
MIDI e pelo envio dos comandos apropriados através de um barramento
MIDI. Alguns seqüenciadores oferecem ainda mais funções,
como a geração automática de acompanhamento ritmico.
Quando
um arquivo MIDI é reproduzido em um computador sem um sampler
ou sinterizador externo, o computador precisa ser o seqüenciador,
o sampler e o sintetizador ao mesmo tempo.
6.
TECLADO MIDI e OUTROS DISPOSITIVOS DE ENTRADA COMPATÍVEIS COM
MIDI
Os
instrumentos musicais existem há milhares de anos. Assim, não
é surpresa que alguns dispositivos usados para gerar comandos
MIDI durante apresentações ao vivo que tenham a função
às vezes a aparência de intrumentos musicais tradicionais.
Estes mesmos dispositivos, controladores MIDI, complementam ou até
mesmo assumem a função do seqüenciador durante
apresentações ao vivo.
O
teclado MIDI se parece muito com o teclado de um piano ou de um órgão.
Estes teclados são os dispositivos mais comuns para gerar comandos
MIDI em apresentações ao vivo e sessões de gravação
em estúdio. Cada tecla pressionada gera um comando MIDI Note-on.
Soltando-se a tecla, produz-se um comando Note-off (que veremos mais
adiante). Dependendo da sofisticação e do design, o
teclado pode também medir a velocidade com que as teclas são
acionadas. Assim, os códigos MIDI correspondentes são
gerados.
7.
POR DENTRO DO BARRAMENTO MIDI
O barramento
MIDI envia dados em uma direção a 31,25 Kbs. O conector
MIDI possui cinco pinos, mas apenas três deles são usados.
E um deles, é o terra! Os dados são enviados através
do barramento MIDI em bytes de até 8 bits.
Até três bytes são necessários para um
comando MIDI. Embora este seja apenas um barramento físico,
o protocolo MIDI suporta 16 canais lógicos distintos.
Múltiplos samplers e sintetizadores, cada um em seu próprio
canal, podem ser conectados em um único controlador ou seqüenciador
em um barramento, em uma ligação em cadeia (daisy chain).
Um sequenciador baseado em computador gera os comandos MIDI para controlar
estes simples sistema. Um sintetizador e dois samplers são
controlados por um único barramento MIDI ligado em cadeia.
Cada um destes três dispositivos possui seu próprio canal
dedicado, permitindo um controle individual pelo sequenciador.
Os canais são às vezes reservados para instrumentos
específicos. O canal 10, por exemplo, é usado normalmente
para a percussão. Esta não é uma exigência
absoluta, porém. Alguns instrumentos MIDI atendem apenas a
um canal específico; outros podem ser programados para residirem
em qualquer canal.
As mensagens MIDI de canal de modo são feitas para controlar
o status de voz e mensagens de canal de modo.
As mensagens de canal de modo em dois tipos: mensagens de canal de
voz e mensagens de canal de modo.
As
mensagens de canal de modo são feitas para controlar o status
do hardware. Uma mensagem de canal de modo, por exemplo, pode ordenar
a um sintetizador que o canal 8 está atribuído à
ele.
As
mensagens de canal de voz reproduzem música propriamente e
constituem a maior parte do tráfego do barramento MIDI. Um
comando Note-on de um teclado musical MIDI, por exemplo, tem campos
para selecionar um canal, para definir que nota do teclado foi acionada,
e para definir com que força a nota foi acionada. Para parar
a nota, um comando distinto (Note-off) precisa ser enviado ao sintetizador.
Isto poderia ser feito automaticamente pelo teclado. Não há
um comando MIDI especial para tocar uma acorde (três ou mais
notas simultâneas). Em
lugar dito, múltiplos comandos Note-on são enviador
em uma rápida seqüência.
O
padrão MIDI também atende aos códigos temporais
SMPTE para manter tudo sincronizado. Estes códigos são
enviados como mensagens de sistema para todos os dispositivos na cadeia
MIDI. Como um metrônomo eletrônico, os códigos
temporais SMPTE podem ser usados para controlar quando as notas começam
e terminam. Isto é crítico em grandes sistemas MIDI,
nos quais múltiplos sintetizadores e samplers estão
em uso.
Um
barramento MIDI é uma interface serial unidirecional. Opera
à taxa relativamente lenta de 31,25 Kbps. Pelo fato de ser
tão lenta, os atrasos podem se acumular quando um barramento
MIDI é ligado em cadeia entre diversos instrumentos. Sistemas
MIDI maiores usam diversos barramentos MIDI por esta razão.
Nestes grandes sistemas musicais, uma caixa de interface MIDI é
usada para complementar um computador como seqüenciador, para
fornecer a temporização SMTPE e para proporcionar o
arranjo (roteamento) dos sinais MIDI.
Para
os já familiarizados como o design de redes, note a similaridade
entre o sistema de música digital MIDI e uma LAN (rede local).
As mensagens são passadas entre os diferentes nós. Uma
caixa de interfaces serve como roteador. Esta similaridade não
ficou despercebida. O padrão MIDI tem suas limitações,
e será um dia substituido por um sistema mais veloz e mais
capaz. Isto poderá se basear em alguma tecnologia de LAN, ou
pelo menos emprestar parte do hardware. Não é algo,
porém, que poderá acontecer em futuro próximo.
O MIDI em sua forma corrente tem ainda anos em seu ciclo de vida.
8.
CRIANDO ARQUIVOS MIDI
Um
arquivo MIDI, adequado para ser postado na Internet, pode ser criado
por dois métodos: composição de MIDI ou marcação
de MIDI.
Usando
um software de composição, a música pode ser
digitada manualmente, uma nota por vez. Embora seja feita em um computador,
isto não é fundamentalmente diferente do método
que os compositores têm usado por séculos. Depois de
completada, o compositor digita m comando para salvar a composição
como arquivo MIDI. O software pode também imprimir a partitura
ou salvar a composição em outros formatos.
A
marcação MIDI adota um enfoque bem diferente. Neste
caso, o software de marcação MIDI é usado para
gravar um fluxo de comandos MIDI gerados por um teclado MIDI, um violão,
ou outro dispositivo de entrada. Ao tocar a peça, uma marcação
musical é criada e gravada automaticamente. Em geral, este
método é preferido por músicos e compositores
orgânicos, que preferem empregar seu tempo criando música
do que a escrevendo. O software pode então ser usado para salvar
o trabalho como um arquivo MIDI ou em outro formato. O software pode
também imprimir a partitura.
Um
software MIDI mais avançado pode combinar ambas as funções
de composição e de marcação em um pacote.
Um produto como o Cubase da Steinberg pode gravar e reproduzir MIDI,
permite composição manual e até mesmo gravar,
editar e reproduzir o áudio gerado por dispositivos MIDI.
A
parte mais difícil de se criar um arquivo MIDI é ter
ou desenvolver talento musical para criar o trabalho, em primeiro
lugar. Com um software moderno, o processo de gravação
e edição é relativamente simples.
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