Dermatite de Contato

Conheça mais detalhes sobre estas inflamações

A dermatite de contato é uma reação inflamatória da pele, em decorrência de um agente agressor externo, podendo ser estabelecida através de quatro mecanismos fundamentais: irritante primário, sensibilização, fototóxico e fotoalérgico. Segundo estudiosos do assunto, estas inflamações afetam de 3 a 4% da população adulta, constituindo 10% das consultas dermatológicas, sendo que a incidência varia de país para país de acordo com o grau de industrialização, costumes, entre outros.

O eczema por irritação primária pode surgir numa primeira exposição em contato com forte agente irritante (por exemplo: hidróxido de sódio). Esta reação não necessita de uma fase de pré-sensibilização, mas também pode ser resultado de repetida exposição a um irritante leve e não surgir imediatamente.

Aspecto Clínico

A pele seca é a primeira fase da ação de um irritante primário, podendo esse estado permanecer durante dias, meses ou anos. Já a segunda é caracterizada por um eczema agudo. Do ponto de vista clínico ou histopatológico, a diferenciação da dermatite de contato por sensibilização se torna difícil nesses casos. As mãos e os braços são os locais mais afetados por este mecanismo graças à sua maior exposição. Os especialistas ressaltam que doentes com pele irritada apresentam mais facilmente dermatite de contato por irritação primária.

O diagnóstico assume papel importante no combate à esta infecção já que, nesta forma clínica, a localização inicial do processo é de grande relevância. A dermatite aguda é semelhante à queimadura ou à pele seca, irritada e/ou fissurada. No organismo, o agente irritante agride a camada córnea, desnaturando a queratina, diminuindo a capacidade de retenção de água e alterando seu pH, afirmam. Os irritantes fortes produzem uma reação inflamatória em todos os indivíduos expostos; já os fracos fazem o mesmo efeito em peles secas, fissuradas etc., tendo efeito cumulativo. Esta reação depende do tempo de exposição, da concentração e da tolerância individual da pele ao agressor.

Inicialmente, a fonte de irritação tem de ser definida, identificada e removida. O quadro inflamatório terá o mesmo tratamento que outras dermatites: uso de corticóides tópicos ou sistêmicos dependendo da gravidade do quadro; aplicação de cremes hidratantes nas peles secas para aumentar sua resistência; administração de antibióticos para combater a infecção secundária, se presente, e anti-histamínicos no caso de pruridermia.

Resultado de ação de hipersensibilidade tardia (tipo IV - Gel Coombs), a dermatite de contato por sensibilização requer um período de sensibilidade que varia de 10 a 14 dias, nunca ocorrendo no primeiro contato com o agente. Especialistas nesta área ressaltam que os aspectos históricos do paciente e uma análise clínica são fundamentais para o sucesso do diagnóstico. Para isso, o dermatologista precisa ser informado sobre: problemas da pele e tratamentos utilizados; hábitos profissionais, ambientais e de lazer; história familiar de doenças da pele que sugerem dermatites endógenas, como, dermatite atópica, dermatite seborréica ou psoríases; uso de cosméticos e de drogas (etilenodiamina - preservativo em pomadas ou cremes -, anestésicos tópicos); contato com plantas e metais (particularmente níquel e cromo).

Em relação ao quadro clínico: de acordo com a distribuição do eczema em determinada parte do corpo, o especialista terá indícios das substâncias que mais freqüentemente entram em contato com este local.

Importância da identificação

O fundamental no tratamento é a identificação e o afastamento da substância alergizante. As informações obtidas pelo exame clínico levam à descoberta da provável causa e dos fatores responsáveis pelo seu agravamento. O teste de contato positivo ou negativo ajuda nesta investigação.

O tratamento é diferenciado de acordo com o estágio da doença: fase aguda - compressas ou banhos de imersão com solução de permanganato de potássio em água morna, várias vezes ao dia; também se utiliza a solução de Burrow (compressas até secar a lesão). Fase subaguda, cremes ou pomadas à base de corticóides (corticóides fluorados não devem ser usados em áreas de alta absorção como rosto, axilas e virilhas; para estes lugares, deve-se dar preferência à hidrocortisona). Na fase crônica: corticóides por infiltração intralesional ou apósitos oclusivos.

Geralmente, frente a um quadro agudo, subagudo ou crônico, o corticóide por via sistêmica oral ou intramuscular consiste em tratamento de primeira linha. Já por via intramuscular são utilizados corticóides de ação rápida e lenta, aplicando-se uma ampola a cada 10 dias.

Por via oral poderá ser utilizado prednisona, de 7 a 14 dias, com dose diária, até a melhora do quadro e depois redução gradual, sendo mais aconselhável, a administração de dose única matutina. Um anti-histamínico por via oral, conjuntamente com os corticóides, é útil para aliviar o prurido. A hidroxizine 24 mg, de duas a três vezes ao dia é particularmente útil. Na maioria das vezes, a remoção do contatante cura rapidamente.

Certos componentes da luz solar - ultravioleta - são capazes de desencadear irritações ou reações sensibilizantes a determinadas substâncias ou intensificar algumas já preexistentes. A ocorrência de um mecanismo alérgico se denomina fotossensibilidade, senão fototoxidade, e o quadro clínico é similar às reações por irritantes primários ou sensibilizantes, só que em áreas expostas à luz solar.

A dermatite de contato por fotossensibilização acontece por reação imunológica comparável à alérgica, sendo que para seu desencadeamento é necessária a exposição à luz solar, principalmente, a ultravioleta. Isto só ocorre em algumas pessoas, enquanto a fototoxidade pode ocorrer em todos, quando expostos a condições de predisposição. Em alguns doentes ocorre a disseminação do quadro para áreas cobertas, independente da exposição à luz solar. Para distinguir a fototoxidade da fotossensibilidade é necessário o fototeste.

Para ambas as dermatites são indicadas o mesmo tratamento utilizado nas outras formas de eczemas, só que também se recomenda a não exposição à luz solar ou ultravioleta sendo que o afastamento da substância fototóxica ou sensibilizante é fundamental. As dermatites, assim como outras alterações da pele devem ser tratadas sempre por um especialista. O uso de automedicação ou produtos sem orientação médica podem agravar seriamente o quadro.