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| Intolerância Alimentar |
Que tipo de alimento o nosso corpo rejeita? Em geral, qualquer tipo de alimento pode vir a causar intolerância no organismo, ou produzir uma reação alérgica, segundo a nutricionista Carla Goulart, especialista em Nutrição Enteral e Parenteral. Por alimento, podemos entender qualquer substância sólida ou também líquida, ingerível. Entre os alimentos que são mais comuns em matéria de rejeição, encontramos desde o camarão, a carne de porco, o presunto e até o álcool ou mesmo alguns tipos de farinha. Como sabemos que o corpo está rejeitando o alimento? Quando, depois de uma refeição, "não passamos bem" ou começamos a sentir indisposições. Podem ocorrer pruridos (coceiras) pelo corpo todo, incluindo barriga, mãos, pés e rosto. Esses pruridos podem vir acompanhados de um certo intumescimento, ou inchaço, em todo o corpo. Também ocorrem reações de náusea, vômitos e diarréia, nem todas em conjunto. A doutora Carla Goulart explica que a intolerância ao alimento pode ser detectada através de manifestações clínicas de alergia alimentar, ou seja, dos sintomas que a pessoa apresenta. Caso esses sintomas sejam socorridos em tempo, acabam não passando de um susto. Um susto, porém, que poderá merecer cuidados especiais pela vida toda, desse dia em diante. O que causa a intolerância alimentar? Digamos que, em dado momento, corpo e elemento externo (o alimento) se encontrem em uma fase de "incompatibilidade de gênio". Ou seja, a partir de um dado instante, o nosso organismo não mais se entende com um certo alimento. Ele o rejeita. Na verdade, diz a nutricionista, o organismo apresenta uma rejeição por algum componente que se encontra naquele alimento. Descobrir qual é esse componente não é tarefa fácil para um médico, mas é fundamental que sejam feitos testes para que a pessoa não venha a ingerir outro alimento em que o mesmo componente esteja presente, pois sofrerá novamente a mesma indisposição. Em que fase da vida a intolerância alimentar é mais freqüente? A nutricionista conta que qualquer indivíduo, em qualquer fase da vida, pode ser surpreendido com uma repentina intolerância ou alergia a um dado alimento. "Em qualquer idade isso pode ocorrer", diz ela, "mas, em geral, os sintomas se iniciam na infância e isso pode acontecer nos primeiros cinco dias de vida". Exatamente, que tipo de reações podem ocorrer? A nutricionista relaciona, entre outras, as reações de origem: - respiratórias
rinite, tosse, asma, otite. Se, por algum motivo, eu mudar drasticamente minha alimentação, posso vir a ter propensão a alergias? Sim, principalmente se a mudança for de uma dieta mais leve para outra mais forte ou completamente estranha ao organismo. Em casos de súbita mudança de hábitos alimentares, relata a nutricionista, as condições físicas gerais, o fator emocional e as condições imunológicas da pessoa se encontram alteradas e isso pode desencadear uma reação. Que alimentos são melhores para se consumir no inverno? E no verão? Basicamente, no verão se aconselha mais frutas e alimentos leves, enquanto que no inverno podemos consumir mais caldos e sopas nutritivas. No entanto, diz Carla, em qualquer época do ano é preferível escolher sempre os alimentos mais naturais, sem grande concentração de gorduras, açucares e aditivos químicos. Nosso corpo sabe que alimentos escolher? Nosso corpo, de alguma maneira e até certo ponto, sabe que alimentos escolher em cada época do ano, mas o problema é que nossa vontade não tanto. A nutricionista alerta que nem sempre fazemos a escolha certa. Isto porque escolhemos o que comer mais pela aparência e pelo aroma, sem levar em conta se aquele alimento é saudável ou não. Em alguns centros de ioga, os iogues são ensinados a ficar desapegados do sabor, buscando mais o valor dos nutrientes do organismo e não a satisfação do apetite por um apelo visual, de sabor ou de cheiros. Entre paladar e nutrição, portanto, qual o melhor caminho? "Gosto é algo muito individual, ensina Carla Goulart. As crianças escolhem o que comer pelo sabor, pelo alimento que mais as agrade". "Já os adultos," ela diz, "têm desenvolvido atualmente uma maior consciência alimentar." Alergia existe cura? A nutricionista relata que existem tratamentos e, em alguns casos, a pessoa poderá desenvolver a tolerância ao alimento alergênico. Esse é um processo muito delicado, que deve ser acompanhado de perto por um profissional de saúde. E terá maior chance de êxito quanto maior for a colaboração do paciente. Neste ponto, já existem algumas abordagens de cura mente-corpo que tratam do assunto. A conexão de nossa mente com a nossa prática alimentar é muito importante, pois podemos, com mais consciência, influir no resultado daquilo que ingerimos. Em uma abordagem mais mística e, portanto, sem comprovação científica, os iogues ensinam, por exemplo, que ao cozinhar deve-se estar com a mente pura, isenta de preocupações e de pensamentos. Os iogues ensinam que as vibrações negativas ou positivas podem passar para o alimento, e que tanto para o ato de cozinhar quanto para o ato de comer, é importante estar longe de pensamentos ruins. Isso é facilmente comprovável, pois pessoas nervosas têm maior inclinação a problemas estomacais do que as pessoas pacientes e tranqüilas. A combinação de uma prática mental de equilíbrio com a dieta oferecida por um profissional deve conduzir a bons resultados em qualquer situação de intolerância alimentar. Ao vencedor, as farinhas Algumas pessoas descobrem que têm uma intolerância ao glúten, que é encontrado em quase todo tipo de farinha. Um inocente pão com manteiga, por exemplo, pode desencadear um tipo especial de distúrbio alimentar chamado doença celíaca (também chamada sprutropical). Foi em 1888 que Samuel Gee, um pesquisador inglês, considerou que as farinhas poderiam ser as causadoras dessa doença, o que foi confirmado anos depois por Dicke, pediatra holandês. Este observou que durante a guerra, quando o pão andava escasso na Europa, os casos de doença celíaca diminuíram. Alguns anos depois ele comprovou a teoria, concentrando-se no papel do glúten (contido no trigo, cevada, aveia e centeio) ao provocar a doença. Os portadores de doença celíaca devem evitar qualquer tipo de farinha, pois, por uma predisposição genética, não conseguem absorver esse tipo de alimento. Uma curiosidade, segundo a nutricionista, é o nosso pão de queijo, que é uma exceção. Nele não está presente a gliadina, o componente do glúten que os celíacos não devem ingerir. Segundo alguns gastro-pediatras, como o que tratou o menino Mathews, por exemplo, em certa época da vida os sintomas desaparecem, mas eles retornam e o tratamento da doença celíaca, depois de feitos exames especiais e constatada a ocorrência, deve ser uma dieta especial pelo resto da vida. Com isso, a pessoa pode levar uma vida normal, desde que controlada. Diário de um estômago Às vezes, uma combinação de tratamento nutricional com psicoterapia ajuda a pessoa a ter mais qualidade de vida. Uma técnica de conexão mente-corpo adaptada das práticas de hipnoterapia é que a pessoa converse com um órgão de seu corpo, no caso, o estômago. Para deixar que o estômago fale por si mesmo, a técnica ensina a pessoa a ter consigo, por três dias, um caderno e uma caneta por onde quer que ela vá. Nesse caderno, a pessoa registra todas as reações que o estômago manifesta e todo tipo de alimento que ela ingerir, inclusive o tamanho da porção e a hora em que ingeriu. O exercício é chamado "Diário de um Estômago", e foi criado por Anita Moraes, em seu consultório de psicoterapia, em 1994. A pessoa é ensinada a permitir que o estômago se manifeste sem restrição, censura ou qualquer espécie de julgamento, como se fosse um órgão autônomo e com voz. Simplesmente o estômago diz o que sente, antes, durante e depois de cada bocado que recebe. Ao cabo de três dias, só então a pessoa deve parar para ler e refletir sobre quais as coisas que comeu ou bebeu e quais foram as reações que o estômago apresentou. Segundo a psicóloga, todos os pacientes que fizeram o exercício modificaram, de alguma forma, seus hábitos alimentares. Esta prática contribui especialmente para os portadores de intolerância alimentar, embora seja também benéfica para qualquer indivíduo que deseje estar de bem com seu estômago e com sua saúde, ou que simplesmente queira estabelecer para si mesmo alguma mudança de hábito na alimentação. |