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| A Anorexia Nervosa Deve Ser Tratada Por Equipes Multidisciplinares |
Um estudo publicado na revista The Lancet de 26 de fevereiro, resultado de 21 anos de acompanhamento de pacientes com anorexia nervosa, chegou à conclusão de que o melhor tratamento para esta doença deve incluir clínicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, terapeutas familiares e outros terapeutas, de forma a se conseguir uma abordagem ampla do paciente e de sua família e alcançar bons resultados no tratamento. A anorexia nervosa é uma doença incluída no grupo dos distúrbios alimentares, em que o paciente apresenta um distúrbio de auto-imagem, sentindo-se gordo e acreditando que necessita de dieta severa, mesmo estando em estado avançado de desnutrição. Esta doença pode levar à morte, porque o paciente chega a um estado de inanição, em que o uso de laxantes, catárticos e outros medicamentos pode levar à desidratação e à morte. Além disto o paciente com desnutrição fica mais vulnerável a infecções, como pneumonias. A depressão também é comum nestes pacientes, o que pode levar a tentativas de suicídio. A anorexia nervosa é mais comum em mulheres jovens. O Dr. Stephan Zipfel e colaboradores da Universidade de Heidelberg na Alemanha realizaram este estudo, contactando 84 mulheres com esta doença mais ou menos 21 anos após sua primeira internação para tratamento. Quatorze pacientes haviam morrido, com 12 mortes devido à sintomas associados à anorexia. Entre as causas de morte, estavam broncopneumonia, sepse (infecção generalizada), complicações devido à desidratação e suicídio. Das sobreviventes, sessenta e três submeteram-se à consultas psiquiátricas e avaliação clínica. No total, os pesquisadores trabalharam com 70 pacientes, incluindo algumas que já tinham falecido. Segundo a classificação dos pesquisadores, destas 70 pacientes, 50,6% estavam totalmente recuperados, 20.8% tiveram evolução intermediária e 26.0% tiveram evolução ruim. As pacientes que ainda estavam em piores condições, comparadas com as que se recuperaram totalmente, tiveram uma duração mais longa da doença antes da primeira hospitalização, ganho inadequado de peso durante a primeira hospitalização e problemas sociais ou psicológicos graves quando foram diagnosticadas. Isto sugere que estas variáveis podem ajudar a definir se um paciente tem mais ou menos chance de se recuperar da doença. Por isto, os pesquisadores sugerem que "os clínicos devem ter como objetivo o tratamento de sintomas sociais e psicológicos, assim como o ganho de peso adequado durante o tratamento." Para o Dr. Zipfel, "é necessário uma avaliação das três áreas [física, social e psíquica] e decidir quais problemas são realmente mais sérios que os outros" em cada paciente em particular. Estes resultados reforçam a necessidade de identificação da doença e intervenção rápida e precisa nestes pacientes, dizem o Dr. Zipfel e colaboradores. |