Bruxaria
A Bruxaria é uma religião de origem Xamânica de forte tradição mágica. Mas é bom lembrar que Xamanismo e Magia são técnicas espirituais, isto é, para ser Bruxo(a) não é preciso fazer magia, ou ter poderes paranormais. Muito menos ser vidente ou médium.
O que diferencia o Bruxo(a) do Mago(a) ou Xamã, é a sua devoção pelos Deuses. Xamanismo e Magia, são técnicas utilizadas pelos Bruxos(as), mas não tem nada a ver com a parte devocional da Wicca. É possível ser um(a) (Bruxo(a) fazendo-se somente os rituais de devoção, sem nunca praticar um único feitiço na vida, mas o contrário não é verdadeiro, pois se, não houver da sua parte um amor verdadeiro e sincero pela energia dos Deuses e harmonia com a Natureza, você pode fazer feitiços dia e noite,mas nunca será um Bruxo(a)!
Tradicionalmente os Bruxos(as) podem e devem fazer feitiços recorrendo às energias da Natureza para resolver os problemas práticos da sua vida, bem como para ajudar ao próximo, mas nunca devemos nos esquecer de que o mais importante é a comunhão com as energias da Natureza, e o respeito por todos os seres vivos, e, em especial, pelos nossos semelhantes.
Bruxaria?!
"Não permitirás que uma bruxa viva" diz o Êxodos (XXII, 18). Esta e outras admoestações bíblicas definiram as bruxas e prescreveram o seu destino. Uma bruxa ou feiticeiro é alguém em ligação com Satanás, o Mal em pessoa, o espirito que se rebelou contra Deus.
Ao pensar em uma
bruxa, a pessoa logo lembra daquela senhora voando em uma vassoura... seria
engraçado se não fosse tão sério O que as pessoas
deveriam lembrar é da velha Inquisição, onde vidas foram
tomadas, até mesmo sem provar a culpa da vítima. Tempos longínguos,
mas muito marcantes... e são esse fatos que são relembrados com
curiosidade pela humanidade. Tempos de proíbição, a mulher
deveria casar vírgem, e servir ao homem sempre com a disposição
que lhe fosse possível. Era a época onde se deveria agir pela
fé, ou seja, justificar tudo fé. Só não sabiam que
essa fé chegaria tão longe, ao ponto de matar pessoas, seres humanos,
justificando a vontade divína.
Hoje, o principal fundamento da vida é a razão.
Quando?! Como?!
Da França à Espanha. da Itália à Alemanha e Inglaterra,
o espectro da bruxa se agitará como uma doença, um delírio
paranóico persecutório que resolverá a pressão das
pulsões destrutivas com a explosão das caça às bruxas,
os processos da Inquisição e as condenações à
fogueira. Lentamente, esta explosão acumulará - sob a guia da
Igreja - todas as "provas" que serviram para repetir a condenação
de Lilith e a perseguição de seus símbolos. Tais "provas"
são eloqüentes em si e só poderemos citar algumas e exemplificar,
colhendo-as do imenso repertório da cultura patriarcal ocidental. Estas
"provas" permitiram radicar na consiência masculina sentimentos
tais que estes abriram caminho para aquela horrenda carnificína física
e psíquica que a história recorda assim:
"Nunca os seres humanos se atiraram mais cegamente uns contra os outros,
nunca o cristianismo se desacreditou mais frente ao mundo inteiro, como no processo
contra as bruxas."
A Inquisição
A Inquisição era um Tribunal Eclesiástico, também
chamado de Tribunal do Santo Ofício,criado para combater
heresias cometidas pelos cristãos confessos e muçulmanos vindos
do Oriente. A inquisição, ou Tribunal do Santo Ofício,
foi iniciada em Verona sob o Papa Lúcio III no ano de 1184, inspirado
em escritos de Santo Agostinho, fortaleceu-se sob o Papa Inocêncio III
(1198-1216) e o Concílio de Latrão (1215), de 1231 a 1234,Gregório
IX multiplicou pela Europa os Tribunais de Inquisição, presidido
por inquisitores permanentes.
Os Inquisitores
Todos os inquisitores deveriam ser doutores em Teologia, Direito Canônico
e Civil e os inquisitores devem ter no mínimo 40 anos de idade ao serem
nomeados, e a autoridade do inquisitor é dada pelo Papa através
de uma bula, às vezes o Papa pode delegar o seu poder de nomear os inquisitores,
a um Cardeal representante, bem como aos superiores e padres provincianos dos
dominicanos, e frades Franciscanos, (foram os papas Inocencio IV e Alexandre
IV), que deram esse poder aos superiores e padres provincianos de suas respectivas
ordens Licet ex Omnibu e Olim Praesentiens. O Inquisidor
não pode nomear um escrivão, pois será assistido pelo escrivão
público das dioceses, somente em 1561 e que os Papas puderam nomear o
escrivão. No ponto de vista da Inquisição são Heréticos.
Os Perseguidos
a) Os Excomungados
b) Os Simoníacos
c) Que se opuser
a igreja de Roma e contestar a
autoridade que ela recebeu de Deus
d) Quem cometer erros na interpretação das sagradas escrituras
e) Quem criar uma
nova seita ou aderir a
uma seita já existente
f) Quem não
aceitar a doutrina Romana no que se
refere aos sacramentos
g) Quem tiver opinião
diferente da igreja de Roma
sobre um ou vários artigos de Fé
h) Quem duvidar da fé Cristã
As torturas
A Inquisição usava como método de obtenção de confissão a tortura, e usada em alguns casos ao extremo, levando o torturado à morte. Segundo Enry Thomas, grande historiador norte-americano, poderia ser escrito um livro somente sobre as torturas empregadas pela inquisição, embora pouco agradável. Vou colocar apenas quatro:
O prisioneiro, com as mãos amarradas para trás, era levantado
por uma corda que passava por uma roldana, e guindado até o alto do patíbulo
ou do teto da câmara de tortura, em seguida, deixava-se cair o indivíduo
e travava-se o aparelho ao chegar o seu corpo a poucas polegadas do solo. Repetia-se
isso várias vezes. Os cruéis carrascos, as vezes amarravam pesos
nos pés das vítimas, a fim de aumentar o choque da queda.
Depois havia a tortura pelo fogo. Colocavam-se os pés da vítima sobre carvão em brasa e espalhava-se por cima uma camada de graxa, a fim de que este combustível estalasse ao contato com o fogo."
Os inquisitores estavam ali enquanto o fogo martirizava a vítima, e incitavam-na,
piedosamente, a aceitar os ensinamentos da Igreja em cujo nome ela estava sendo
tratada tão delicadamente e tão misericordiosamente. Para que
houvesse um contraste com a tortura pelo fogo, também praticavam a da
água:
Amarrando as mãos e os pés do prisioneiro com uma corda trancada que lhe penetrava nas carnes e nos tendões, abriam a boca da vítima a força despejando dentro dela água até que chegasse ao ponto de sufocação ou confissão.
Todas as imaginações bárbaras do espírito de Dante,
quando descreveu o Inferno, foram incorporadas em máquinas reais que
cauterizavam as carnes, esticavam os corpos e quebravam os ossos de todos aqueles
que recusavam crer na branda misericordia dos inquisitores.
De acordo com a lei, tortura só podia ser infligida uma vez, mas essa regulamentação era burlada facilmente... quando desejavam fazer repetir a tortura, mesmo depois de um intervalo de alguns dias, infringiam a lei, não alegando que fosse uma repetição, mas simplesmente uma continuação da primeira tortura.... Esse jogo de palavras dava margem a crueldade e ao zelo desenfreado dos inquisitores.
O Sabbat
Ninguém a reconhece, mas todos a evitam. Onde pode ir uma bruxa?
Somente ao encontro do Diabo.
Assim que a bruxa vai ao Sabbat, a grandiosa epifania das forças vitais
liberadas, o Sabbat é local e festa que repete o arcaico evento consumado
nos desertos do Mar Vermelho. No Sabbat, a bruxa renova seu processo. O estereótipo
mais comum do Sabbat inclui os seguintes eventos em ordem cronológica:
primeiro a bruxa é aliciada a comparecer à assembléia demoníaca.
Ainda em sua casa, esfrega-se com ungüento (composto por gordura humana
ou de porco, haxixe, ao qual é acrescentado um punhadinho de flores de
cânfora, de papoula, sementes de girassol esmagadas e raízes de
heléboro). A bruxa pode se dirigir ao Sabbat de diferentes maneiras:
voando, cavalgando em um animal (cavalo, gato, cachorro ou bode), ou ainda transformada
em animais (gato ou bode). Uma vez que a bruxa já está na assembléia,
comandada pelo Diabo - que é assistido por demônios auxiliares
- ela o homenageia e realiza o pacto, que se materializa com sangue ou beijo
no ânus. Em seguida, inicia-se o banquete, no qual se come uma comida
sem sal e carne de criança putrefata. Após o banquete, segue-se
uma dança orgiástica que utiliza sons desafinados. Por último,
apagam-se todas a luzes e estabelecem-se, indiscriminadamente, todos os tipos
de relações sexuais, desde a prática do incesto, passando
pelo homossexualismo até a bestialidade (relação com animais).
Embora houvesse casos com mulheres que tiveram filho do Diabo, em geral considerava-se
que o sêmen do Diabo era frio por ser estéril.
Pierre de l'Ancre,
no seu livro sobre anjos, demônios e feiticeiros publicado em 1610, afirma
ter assistido a um Sabbath. Eis a sua descrição:
"Eis os convidados da Assembléia, tendo cada um atrás de
si um demônio, e saibam que no banquete é apenas servido nada mais
que a carne dos que foram enforcados, os corações de crianças
não batizadas, e outros estranhos e impuros animais, estranhos ao costume
e uso do povo cristão, tudo sem sabor e sem sal".
As afirmações feitas em livros como o de l'Ancre e a descrição
das atividades do Sabbath em obras de arte ao longo de anos não eram
consideradas ficções humorísticas nem manifestações
de espíritos perturbados. Essas noções, por absurdo que
nos pareça, eram consideradas verdade por milhões de cristãos.
O mais estranho é que muitas pessoas hoje acreditam em histórias
semelhantes acerca de comer crianças e a morte ritual de animais, combinadas
com abuso sexual e influências satânicas.
Deixo aos Freudianos a interpretação destes persistentes mitos
de criaturas satânicas com chifres, cauda, e grande apetite sexual; de
raptos e abusos sexuais, mutilação e morte de crianças;
de mulheres a esfregarem-se com ungüentos e voando para relações
como um bode demoníaco; e de poderes sobrenaturais como a metamorfose.
O meu palpite é que a bruxaria e feitiçaria são parte da
repressão sexual e servidos como justificação para o uso
em arte e literatura, de pornografia criada, santificada e glorificada pela
Igreja.
Certo que havia perseguições dos que mantinham uma ligação
com o passado pagão. Mas é difícil de acreditar que as
descrições das bruxarias saiam das vitimas torturadas e mutiladas
e não das mentes dos seus torturados. Os poderes dos inquisidores eram
tão grandes, as suas torturas tão variadas e sádicas, que
as vitimas acreditavam que estavam realmente possessas. As crueldades duraram
séculos. A caça às bruxas só foi abolida em Inglaterra
em 1682. A caça nos EUA teve o seu pico em 1692, em Saldem, Massachusetts,
onde dezanove bruxas foram enforcadas. A ultima execução judicial
teve lugar na Polônia 1793. A ultima tentativa de execução
teve lugar na Irlanda em 1900 quando dois camponeses tentaram queimar uma bruxa
na sua lareira.
Quaisquer que sejam as bases psicológicas para a criação
de uma anti-Igreja, o resultado prático foi uma Igreja mais forte e mais
poderosa. Ninguém sabe quantas bruxas, heréticos ou feiticeiros
foram torturados ou queimados pela Inquisição, mas o medo que
criou afetou toda a Cristandade. Ser acusado de ser uma bruxa era igual a ser
condenado. Negá-lo era provar a sua culpa: claro que uma bruxa dirá
que não o é, e que não acredita em bruxarias. Lancem-na
ao rio! Se afogar então não é uma bruxa; se nadar, então
saberemos que é bruxa e que o Diabo a ajuda. Tirem-na da água
e queimem-na, pois a Igreja não gosta de verter sangue! Na verdade, a
Igreja criou um reino de terror superior em muitos aspectos aos de Stalin ou
Hitler. Estes duraram apenas alguns anos e restringiram-se a territórios
limitados; o da Igreja durou séculos e estendeu-se a toda a Cristandade.
O terror da Igreja também se dirigiu em particular às mulheres.
Não admira pois que as religiões atuais que se definem como pagãs
e anti-cristãs se centrem nas mulheres. Não é estranho
que as religiões da Nova Era exaltem o que a Igreja condenou (como o
egoísmo e a sexualidade saudável mesmo entre homossexuais) e condenem
o que a Igreja exaltou (tal como a subserviência da mulher e a auto-negação).
Quem os pode criticar?
Obs: A bruxaria aqui relatada trata apenas da versão cristã, comulmente conhecida e falsa, que apenas deve ser vista como mais um dos contos diabólicos existentes. A verdadeira Bruxaria não é usada para fins malévolos, não é cultuadora do "Diabo", pois o Satanás, ou "O Diabo" é um conceito adotado pelos judeus, cristãos e islâmicos, de modo algum faz parte das religiões nativas das Américas, do Budismo e da Bruxaria (Wicca) . A Wicca uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas deidades maiores reverenciadas e adoradas em seus ritos: A Deusa (o aspecto feminino e deidade ligada à antiga Deusa Mãe em seu aspecto triplo de Virgem, Mãe e Anciã.) e sou consorte, o Deus Cornífero (o aspecto masculino).