- Varíola -

Bebê infectado por varíola
Se não causar a morte, a varíola devasta a vida de quem adoeceu. Entre as seqüelas descritas na literatura médica, estão a cegueira e a acentuada deformação facial. Na pele do infectado, comumente, aparecem milhares de bolhas que fazem o papel de agentes multiplicadores da doença. As necrópsias realizadas em doentes demonstraram que esses carocinhos purulentos também surgem nos órgãos internos do paciente, o que causa a destruição parcial de baço, pulmões, fígado e glândulas linfáticas. Quem sobrevive fica irreconhecível e talvez pense que seria melhor ter sucumbido.
Os efeitos destrutivos da doença são conhecidos e usados por exércitos há pelo menos mil anos. No século XI, era comum milícias retalharem e lançarem corpos contaminados com catapultas a fortes impenetráveis. Como o contágio é por via aeróbia e a doença se desenvolve e mata rapidamente, a varíola e outras moléstias como a peste bulbônica, se tornaram armas de guerra cobiçadas. Em pouco tempo, era possível matar e tomar castelos, regiões e países. Para piorar, a varíola provoca tosse e catarro. Em uma única tossida, o contaminado tende a expelir milhões e milhões de vírus no ar.
Com o avanço da ciência, os exércitos passaram a fazer pequenas culturas desse tipo de vírus, para o caso de campanhas bélicas. É sabido que existem laboratórios com bacilos de Anthrax e vírus da varíola nos Estados Unidos, na Rússia e suspeita-se que o Iraque também tenha um laboratório assim. O Exército brasileiro e o da maioria dos países, por exemplo, são completamente imunes à varíola com o uso de vacinas. Mas a população em geral não é. E produzir seis bilhões de vacinas - o suficiente para proteger toda população mundial - não é possível de uma hora para outra, sem que estragos horríveis aconteçam.
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Texto retirado da revista "Tudo que eu quero", edição
n° 40.